OS SANTOS NO CÉU - CAPS. 4-11
A história da Igreja sobre a terra, nessa altura dos acontecimentos, terá chegado ao fim; agora a cena passa para o céu. Aqui é o lugar onde muitos comentadores falham. Erram por não reconhecer o fato de que aqui está o que ocorrerá no céu, após o arrebatamento.
No tempo dos profetas, eles estavam sobre a terra e, muitas vezes contemplavam acontecimentos celestiais, mas nunca antes um profeta subiu ao céu a fim de olhar para a terra. Tendo em vista que essa é a primeira vez que isso aconteceu temos dificuldade de ajustar a ela nosso raciocínio. NÃO EXISTEM QUAISQUER SÍMBOLOS NESTA SEÇÃO.
ESTA SEÇÃO tem duas divisões principais, que podem ser designadas por duas palavras: TRIBULAÇÃO E JULGAMENTO. Precisamos notar que o tempo abrangido pelos capítulos 4-11 vai do arrebatamento ao retorno de Cristo, e que a cena ocorre no céu. TUDO QUE ACONTECE NA TERRA RESULTA DE ALGO QUE SUCEDERÁ NO CÉU; a causa está no céu e o efeito sobre a terra.
TRIBULAÇÃO: Os 4 cavaleiros, a grande tribulação, a primeira ressurreição e os mortos pelo anticristo (3 anos e meio).
JULGAMENTO: O sétimo selo: 1. Terra 2. Mar 3. Rios 4. Sol, lua 5. Reino da besta
6. Rio Eufrates
As duas testemunhas e o Armagedom (7 anos)
Precisamos distinguir as duas espécies de juízo, ou ira, do livro de Apocalipse. Primeira: UM JULGAMENTO CUJO PROPÓSITO É A SALVAÇÃO DOS HOMENS.
Segunda: um julgamento cujo propósito é EXPURGO E PUNIÇÃO. Primeiramente sobrevirá o juízo misturado com a graça; e então derramar-se-á a ira “sem mistura”. A primeira tem em vista a salvação dos santos do período da tribulação. Será a tarefa dos 4 cavaleiros. Habacuque apresenta essa verdade: Hab 3:12-13.
Escrituras paralelas: Zac 6:1; Mt 22:1-10 e 24:7-14.
Nesses dias da consumação da redenção 4 coisas serão realizadas:
1) Todos os homens ouvirão o evangelho.
2) A terra deverá ser julgada e expurgada.
3) Tudo que não puder ser redimido, será destruído.
4) Deverá haver uma reconstrução para que tudo se faça novo.
Falamos aqui sobre reconstrução, não de destruição. Não haverá o que se convencionou chamar fim do mundo. Onde essa expressão ocorre na Bíblia, seria mais acertado traduzi-la por “século” ou “era”. A dificuldade é que o vocábulo “mundo” é utilizado para traduzir certo número de palavras gregas, algumas das quais se referem a tempos ou condições, como na expressão “este mundo é dos poderosos”. Esse tipo de mundo chegará ao fim. MAS O GLOBO TERRESTRE NÃO TERÁ FIM. - Ver Is. 45:17-18.
Que haverá pessoas vivendo nesse globo, quando o período da grande tribulação houver terminado, é evidente na conclusão do discurso profético de Jesus: “Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do filho do homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória.” Mt. 24:29-30.
Todas as tribos da terra continuarão existindo, depois da tribulação daqueles dias. Ora, se ainda estiverem vivas, depois de tudo isso é porque continuarão vivas, porquanto Jesus disse acerca desse período: “...porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido, e NEM HAVERÁ JAMAIS”. Mt. 24:21.
Devemos verificar passagens como Mt 25:31-33: Mq 4:1-3; Is 65:17-25; Is 60:21-22; para chegarmos à conclusão de que os povos sobreviverão a isso.
O MILÊNIO é, na verdade, um fase de reconstrução. A perfeição será obtida somente no fim. Depois se tornarão realidade os novos céus e a nova terra.
Uma questão que deveríamos encarar neste momento é se a nova terra será outra totalmente diferente desta terra atual, ou será uma renovação da presente terra. Tanto em Isaías 65:17, como em Apocalipse 21:1, ouvimos acerca de “novos céus e uma nova terra”. A expressão “céus e terra”deveria ser entendida como um modo bíblico de designar o universo inteiro: Céus e terra conjuntamente constituem o cosmos”. Mas então a questão é: o universo atual será totalmente aniquilado, de forma que o novo universo será completamente outro do que o cosmos atual, ou será o novo universo essencialmente o mesmo cosmos que o presente, apenas renovado e purificado?
Temos que rejeitar o conceito de aniquilamento total em favor do conceito de renovação, pelas seguintes 4 razões:
1) Tanto em 2 Pe 3:13 como em Ap 21:1 o termo grego utilizado para designar a novidade do novo cosmos não é NEOS mas sim KAINOS. A palavra NEOS significa NOVO (em tempo ou origem), enquanto que a palavra KAINOS significa NOVO (em natureza ou em qualidade). A expressão ouranon kainon kai gen kainen (“novo céu e nova terra”Ap 21:1) significa, portanto, não a emergência de um cosmos totalmente outro, diferente do atual, mas a criação de um universo que, embora tenha sido gloriosamente renovado, está em continuidade com o universo presente.
2) O argumento de Paulo em Romanos 8 é muito importante. Quando ele nos diz que a criação aguarda, com ansiedade, pela revelação dos filhos de Deus a fim de que possa ser liberta do cativeiro da corrupção (21:22) ele está dizendo que é a criação atual quem será liberta da corrupção no eschaton, não uma criação totalmente diferente.
3) Uma terceira razão é analogia entre a nova terra e os corpos ressurretos dos crentes. Haverá continuidade entre o corpo atual e o corpo ressurrecto. As diferenças entre nossos corpos atuais e nossos corpos ressurrectos não retiram a continuidade: somos nós que seremos ressuscitados, e somos nós que estaremos para sempre com o Senhor. Aquele ressuscitados com Cristo não serão um conjunto totalmente novo de seres humanos, mas sim o povo de Deus que viveu nesta terra. A título de analogia, seria de se esperar que a nova terra não será totalmente diferente da terra atual, mas será a terra presente maravilhosamente renovada.
4) Uma quarta razão para preferirmos mais o conceito da renovação do que o do aniquilamento é esta: Se Deus tivesse de aniquilar o presente cosmos, satanás teria conquistado uma grande vitória. Pois então satanás teria tido sucesso em corromper tão devastadoramente o cosmos presente e a terra atual que Deus não poderia fazer mais nada com isso a não ser extinguí-los totalmente da existência. Mas satanás não conquistou essa vitória. Pelo contrário, satanás tem sido decisivamente derrotado. Deus revelará a plenitude das dimensões dessa derrota ao renovar exatamente a mesma terra na qual satanás enganou a humanidade, banindo, finalmente, dessa terra, os resultados das maquinações diabólicas de satanás.
Sobre este assunto é interessante observar as palavras com as quais Edward Thurneysen descreveu sua compreensão de como seria a nova terra: “O mundo no qual entraremos, na Parousia de Jesus Cristo é, não outro mundo, mas este mundo, este céu, esta terra; ambos, porém, já passados e renovados. Serão estas florestas, estes campos, estas cidades, estas ruas, este povo, que constituirão o cenário da redenção. No momento eles ainda são campos de batalha, cheios de luta e dor pela consumação ainda não realizada: então eles serão campos de vitória, campos de colheita, onde da semente que foi semeada com lágrimas os molhos eternos serão ceifados e trazidos para casa”.
Quando entendemos adequadamente os ensinos bíblicos acerca da nova terra, várias outras passagens começam a se encaixar num padrão significativo.
VERIFIQUE: Sl 37:11; Mt 5:5; Rm 4:13; At 3:19-21; Rm 8:19-21; Ef 1:13-14; Ap 5:9-10; Is 65:17-25; Is 66:22-23;2 Pe 3:13; Ap 21:1-4
Enquanto vivemos nesta terra nós nos preparamos para a vida na nova terra de Deus. Através de nosso serviço real estão sendo agora reunidos os materiais de construção para aquela nova terra. Bíblias estão sendo traduzidas, pessoas estão sendo evangelizadas, crentes estão sendo renovados, e culturas estão sendo transformadas. Somente a eternidade revelará o significado total do que está sendo feito para Cristo aqui.
No princípio da história Deus criou os céus e a terra. No fim da história vemos os novos céus e a nova terra, que ultrapassarão, em muito o esplendor de tudo que temos visto antes. No centro da história está o Cordeiro que foi morto, o primogênito dentre os mortos, e o governador dos reis da terra. Um dia lançaremos perante Ele todas as nossas coroas, “perdidos em admiração, amor e louvor”.
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